
DITADURA MILITAR – REDEMOCRATIZAÇÃO ATÉ (FCH);
Monitor Ailton de Souza;
E-mail; desuza4@hotmail.com;
Imediatamente o estado de São Paulo
desencadeou a Marcha da Família com Deus pela Liberdade que incluía o
governador Ademar de Barros, empresários, militares e membros do clero. A
marcha anticomunista, com milhares de pessoas, exigia a saída de Jango. Os
estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro apoiaram o movimento paulista bem como
outros estados brasileiros. Parte das forças armadas, especialmente do
exército, tomou as ruas levando Jango a fugir para o Rio Grande do Sul, onde
Brizola o esperava para resistir e não abandonar o poder.
No
dia 31 de março de 1964 o Estado Populista chegava ao fim. João Goulart
preferiu exilar-se no Uruguai e o Senado empossou o presidente da Câmara,
Ranieri Mazzili como presidente. Os EUA, imediatamente, reconheceram o novo
governo que foi, depois, entregue aos militares.
Militares no Poder
Em 1964,
as forças armadas assumiram o controle político e passou a decidir,
efetivamente, quem ocuparia o cargo de presidente da república. Esse regime
militar durou até 1985 e ficou conhecido, como “Golpe Militar”, ou
“Ditadura Militar”.
Quem
mandava era a alta cúpula militar, em vez dos políticos profissionais e do
congresso. Os militares utilizavam os órgãos de informação e repressão, a
burocracia técnica do estado. Para poder manter seu controle, sobre os
políticos e a sociedade organizada.
Uma das
características dos governos militares foi o autoritarismo, através dos
chamados A.I (Atos Institucionais), os governos militares foram
restringindo as instituições democráticas e impuseram censura aos meios de
comunicação (rádio, televisão, jornais, revistas etc.). Muitos brasileiros
que eram contra essa situação foram perseguidos, exilados, torturados ou
mortos pelos órgãos de repressão política.
Os
governos militares adotaram um modelo de desenvolvimento econômico baseado na
aliança entre três grandes grupos:
- A burocracia técnica estatal (militar e civil)
- Os grandes empresários estrangeiros
- Os grandes empresários nacionais
Esse
modelo caracterizou-se pela modernização da economia, pela concentração de
renda nas classes altas e médias e pela marginalização da classe baixa.
Com a
deposição de João Goulart, o presidente da câmara dos deputados, Ranieri
Mazzilli, ocupou provisoriamente o cargo de presidente. Em 9 de abril de
1964, foi decretado o Ato Institucional número 1, que dava poderes
ao executivo, durante seis meses, para cassar mandatos de parlamentares,
suspender direitos políticos de qualquer cidadão, modificar a constituição e
decretar o “estado de sítio” sem aprovação do congresso.
No segundo
dia, após a criação do AI-1, o congresso foi reunido e sob
pressão militar e com apoio de alguns parlamentares, foi eleito para
presidente, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, que assumiu o
governo em 15 de abril de 1964.
Foi
imediatamente reconhecido pelos governos estaduais e municipais, contou
com o apoio de grandes empresários brasileiros e diretores de empresas
multinacionais. Esse apoio foi dado, por causa da doutrina de segurança
nacional elaborada pela “escola superior de guerra”. Por meio da
qual o governo militar assumia o compromisso de combater as idéias socialistas
ou comunistas.
Promoveu-se
forte repressão policial contra várias entidades: diversos sindicatos foram
fechados e a UNE (união nacional dos estudantes) foi invadida. Em 60
dias, mais de 300 pessoas tiveram seus mandatos cassados e seus direitos
políticos suspensos, entre elas, Jânio Quadros e João Goulart.
Foram rompidas
as relações diplomáticas com Cuba e foi extinta a lei de remessa de
lucros, permitindo que as multinacionais enviassem às suas matrizes,
grandes somas de dinheiro. A economia era dirigida por Roberto
Campos, ministro do planejamento e Otávio Gouveia de Bulhões, ministro da
fazenda. Juntos elaboraram o “programa da ação econômica do governo
(PAEG)”.
Uma das
principais propostas desse governo foi combater a inflação mediante o
favorecimento do capital estrangeiro, as restrições ao crédito e a redução dos
salários dos trabalhadores.
Nesse
período os trabalhadores perderam
- O direito a estabilidade no emprego
- Reduções salariais
- Reprimidos em suas tentativas de protestos
- Seus sindicatos sofreram intervenção
As medidas
adotadas pelo governo, na área econômica tornaram-no impopulares, até
mesmo entre antigos aliados do golpe, como Carlos Lacerda.
Em 1965,
foram realizadas eleições para os governos estaduais, as oposições
ao regime militar conseguiram significativas vitórias. Por isso o
governo militar resolveu, tomar novas medidas repressoras.
Foi
decretado o AI –2 que conferia mais poderes ao presidente para cassar
mandatos e direitos políticos e extinguia todos os partidos políticos
existentes, ficando apenas dois:
- Aliança Renovadora Nacional (Arena) apoiava o
governo.
- Movimento Democrático Brasileiro (MDB) fazia
oposição, dentro dos limites aceitáveis, para o governo.
Criaram
também a “Lei de Segurança Nacional”, na prática, era o instrumento
jurídico destinado a enquadrar como inimigos da pátria aqueles que,
se opunham às diretrizes do governo militar.
Depois
decretaram o AI-3, estabelecia o fim das eleições diretas para
governadores e prefeitos das capitais, a partir deste momento, os governadores
indicados pelo presidente, seriam submetidos à aprovação das assembléias
legislativas e os prefeitos seriam indicados pelos governadores.
Com o AI
– 4, o governo adquiriu poderes para produzir uma nova “constituição”.
Foi elaborada, a constituição de 1967, que tinha entre seus principais
objetivos, fortalecer o poder do presidente da república e enfraquecer
o legislativo e o judiciário.
Ao final
do governo de Castelo Branco, o alto comando militar escolheu o marechal
Artur da Costa e Silva, ministro da guerra, para ser o novo presidente.
Durante o governo
de Costa e Silva, ocorreu uma violenta repressão policial, porém
mesmo com o aumento da repressão, as manifestações públicas contrárias à
ditadura militar, aumentaram em todo o país:
- Estudantes saíram às ruas em passeatas;
- Operários organizaram greves contra o arrocho
salarial;
- Políticos de oposição fizeram pronunciamentos
atacando a violência da ditadura alguns, como “Carlos Lacerda, que apoiou
o golpe e naquele momento estava arrependido, procuraram organizar uma
(frente ampla) de oposição”;
- Padres progressistas discursaram sobre a fome do
povo e a tortura praticada por órgãos de segurança.
No Rio
de Janeiro, em 1968, mais de 100 mil pessoas saíram às ruas em passeatas,
protestando contra o assassinato do estudante “Édson Luís, de 18
anos”, pela polícia.
OBS: Muitos intelectuais
e artistas (dramaturgos, atores, professores, jornalistas, músicos),
procuraram utilizar seus espaços de atuação para protestar, contra o
autoritarismo do regime. Entre eles o cantor e compositor “Geraldo
Vandré”, que no (III Festival Internacional da Canção).
Realizado no Rio de Janeiro, em 1968, apresentou a música “Pra
não dizer que não falei das flores”. A música ficou em segundo lugar
e depois foi considerada “subversiva” pelos militares e foi censurada.
Mas se transformou no hino de contestação à ditadura.
Caminhado e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos,
construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera
acontecer
Pelos
campos há fome em grandes plantações
Pelas
ruas marchando indecisos cordões
Ainda
fazem da flor seu mais forte refrão
E
acreditam nas flores vencendo o canhão
Há soldados
armados, armados ou não
Quase
todos perdidos de armas na mão
Nos
quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer
pela pátria e viver sem razões
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos
soldados armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza
na frente, a história na mão
Aprendendo
e ensinando uma nova lição
Caminhando e cantando e seguindo a canção
No congresso
nacional, o deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, fez um veemente
discurso contra os militares, responsabilizando-os pela violência
praticada, contra a população, principalmente os estudantes. Propôs à
população o boicote à parada militar de 7 de setembro.
Os oficiais
militares consideraram o discurso ofensivo à honra das forças armadas
e exigiram que o deputado fosse processado. Porém a câmara federal
negou autorização para o processo, preservando a imunidade parlamentar
de Moreira Alves.
Diante
dessa resistência dos parlamentares, os líderes do governo reagiram
energicamente. Em dezembro de 1968, determinaram o “fechamento
do congresso”, a cassação do mandato de Márcio Moreira Alves e de outros
parlamentares e decretou o AI – 5 um dos mais terríveis
instrumentos normativos pelo regime militar.
O AI –
5 conferia ao presidente amplos poderes para perseguir e reprimir as
oposições. Podia decretar, por exemplo, o estado de sítio, intervir nos
estados e municípios, cassar mandatos eletivos, suspender direitos políticos,
demitir funcionários públicos etc. O Poder dado ao presidente com o AI
– 5 era tão grande, que seus atos praticados, não podiam sequer ser submetidos
ao exame do judiciário.
Através do
AI – 5, o governo de Costa e Silva prendeu milhares de
pessoas em todo o país, entre elas: Carlos Lacerda, o marechal Lott e
Juscelino. Fechou o congresso nacional por tempo indeterminado, cassou
o mandato de centenas de deputados federais e estaduais, vereadores e
prefeitos. Além de ter afastado quatro ministros do Supremo Tribunal
Federal.
A
legislação arbitrária parecia preocupar o presidente Costa e Silva, que
não queria passar pela História apenas como o criador do AI – 5.
Por isso, confiou ao vice – presidente Pedro Aleixo (que era contra o AI –
5), a missão de elaborar o anteprojeto de uma nova constituição para o
país.
A nova
carta Magna estava praticamente concluída, quando Costa e Silva foi
obrigado a deixar a presidência por razões de saúde. Uma junta
militar, composta dos ministros do exército, marinha e aeronáutica,
governou o país durante dois meses (31 de agosto a 22 de outubro de 1969).
Percebendo a impossibilidade de Costa e Silva retornar a presidência, a junta
militar indicou e a Arena referendou como seu sucessor o general Emilio
Garrastazu Médici.
O período
do governo de Médici ficou conhecido como, “anos de chumbo”, poder
ditatorial e a violência repressiva contra as oposições foram ainda maiores. Os
direitos fundamentais do cidadão foram suspensos. Qualquer pessoa que
se opusesse ao governo podia ser presa. Nas escolas, fábricas, teatros,
imprensa sentia-se a “mão de ferro” do autoritarismo.
O governo
utilizou a televisão, para divulgar seus projetos a população, isto
fez com que a televisão amplia-se consideravelmente sua importância como
veículo de comunicação social.
A
facilidade de conseguir crédito pessoal permitiu a expansão do número de
residências que possuíam televisão;
- Em 1960, apenas 9,5% da população urbana tinham
televisão;
- 1970, a porcentagem chegava a 40%;
Beneficiada
pelo apoio do governo, de quem se transformou em porta-voz, a TV
Globo expandiu-se até se tornar rede nacional e alcançar praticamente o
controle do setor. A propaganda governamental passou a ter um canal de
expressão como, nunca existira na história do país.
O governo
militar procurava esconder da maioria da população o violento combate que movia
contra os grupos democráticos, de diversas tendências políticas: Liberais;
socialistas e Comunistas.
Alguns desses grupos lançaram-se à
luta armada, promovendo diversas ações de guerrilha, como assaltos a bancos em
busca de dinheiro para financiar a luta política e seqüestros de diplomatas
estrangeiros para trocá-los por companheiros presos e torturados nos porões dos
órgãos de segurança etc.
Dois
líderes guerrilheiros desse período, o ex – deputado comunista Carlos
Marighella e o ex – capitão Carlos Lamarca, foram mortos e seus grupos,
dominados pelos órgãos da repressão militar, além disso, milhares de
pessoas acusadas de “subversão” foram torturados e centenas foram mortos
em todo o país.
O governo
Médici também foi marcado por um período de desenvolvimento econômico
que a propaganda oficial chamou de “milagre brasileiro”. Comandada pelo ministro
da fazenda Delfim Neto, a economia cresceu a altas taxas anuais, tendo como
base o aumento da produção industrial, o crescimento das exportações e a
acentuada utilização de empréstimos do exterior.
Em compensação,
o governo adotou uma rígida política de arrocho salarial, diante da
quais os trabalhadores e os sindicatos não podiam reagir devido à
repressão política. Entretanto, o “milagre” durou pouco, pois não
se baseava de forma predominante nas próprias forças econômicas do país, mas
numa situação externa favorável e na tomada de empréstimos internacionais.
Quando
ocorria uma crise externa, afetava a nossa economia, exemplo, o aumento do
preço do petróleo no mercado externo. A economia brasileira sofreu grande
impacto, a inflação começou a subir e a divida externa elevou-se
de maneira assustadora.
Teve
início, uma longa e amarga crise econômica. O governo militar foi perdendo um
de seus principais argumentos para sustentar – se no poder, pois demonstrou -
se que a ditadura não garantia o desenvolvimento. As oposições políticas foram
lentamente se reorganizando e passaram a exigir, cada vez mais, à volta da
democracia.
O sucessor
de Médici foi o general Ernesto Geisel, indicado pelo alto comando
militar e aprovado pela Arena. Geisel integrava um grupo de oficiais
militares favoráveis à devolução gradual do poder aos civis. O novo
presidente dizia-se disposto a promover um processo “gradual, lento e
seguro” de abertura democrática.
Começou
sua ação de abertura democrática, diminuindo a severa ação da censura sobre
os meios de comunicação, depois, garantiu a realização, em 1974, de
eleições livres para senador, deputado e vereador.
O MDB,
único partido de oposição, alcançou uma vitória significativa sobre a
arena, o partido do governo, deixando assustados os militares da linha
dura. Os comandantes dos órgãos de repressão não tinham nenhuma
simpatia pela idéia de uma abertura democrática e continuavam agindo
com a mesma violência do período anterior.
Em São
Paulo, foram presos e mortos, nas dependências do II exército, o jornalista
Vladimir Herzog (1975) e o operário Manuel Fiel Filho (1976). Os atos
brutais dos órgãos militares, que diziam agir em nome da “segurança
nacional”, escandalizaram a opinião pública. Geisel afastou o general
comandante do II exército, tentando pôr fim à onda de violência.
Entretanto,
temendo o rápido avanço das oposições, Geisel recuou no processo de
abertura política. Em 1976, decretou uma lei que limitava a
propaganda eleitoral dos candidatos no rádio e televisão, essa lei ficou
conhecida como, lei Falcão. Só podia aparecer o retrato do candidato
na televisão e um resumo de sua política.
Em 1977,
o governo decretou uma série de normas autoritárias como, determinava que um
terço dos senadores fosse escolhido diretamente pelo presidente, criava, os senadores
“biônicos”, isto é, que não eram eleitos pelo voto popular e que sempre
votavam a favor do governo.
No plano
econômico, o governo elaborou o II plano
nacional de desenvolvimento (PND), que previa a expansão das indústrias
de bens de produção (máquinas, equipamentos pesados, aço, cobre, energia
elétrica etc.). Porém para que esse plano funcionasse, era preciso adquirir
recursos financeiros no exterior, mas a conjuntura internacional não
era favorável. Por causa da crise do petróleo e cerca de 80% do produto
consumido era importado, sem falar que, quase metade das receitas das
exportações era utilizada para pagar a conta do petróleo. Com isso o governo
ficava sem recursos para custear seus investimentos e precisava fazer novos
empréstimos, aumentando cada vez mais a dívida externa.
Pressionado
pelas oposições e pelos problemas econômicos, o governo federal retomou
o processo de reabertura política, em outubro de 1978, “extinguiu o AI - 5”
e os demais atos institucionais.
No final
do governo, ocorreu uma disputa eleitoral indireta, para presidente. Pela
Arena, disputou o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, para presidente
e Aureliano Chaves, para vice e pelo MDB, o general Euler Bentes Monteiro, para
presidente e Paulo Brossard, para vice. O colégio eleitoral conferiu 335
votos a Figueiredo e 266 ao general Euler.
Quando
Figueiredo assumiu o governo, às críticas ao autoritarismo crescia em vários
segmentos da sociedade, sindicato de trabalhadores, grupos de empresários,
igreja, associações de artistas e científicas, universidades e imprensa.
Reivindicavam a redemocratização do país.
Diante de
tantas pressões, Figueiredo assumiu o compromisso de realizar a abertura
política e reinstalar a democracia no Brasil. Nesse processo de
abertura, surgiu um novo sindicalismo, que atuava mais independente do
estado e ocorreram as primeiras greves contra o achatamento dos salários
e o autoritarismo do governo militar.
Em 1979,
em todo o Brasil, mais de 3 milhões de trabalhadores fizeram
greve. Entre as paralisações mais importantes destacaram – se as dos
operários metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, sob a liderança
de “Luís Inácio Lula da Silva”, então presidente do sindicato dos
metalúrgicos do ABC, que inclui os municípios de Santo André, São
Bernardo e São Caetano. Concentrava grandes e médias indústrias metalúrgicas.
A campanha
pela redemocratização do país obteve os primeiros resultados positivos:
- Anistia a todos os que foram punidos pela
ditadura, muitos brasileiros exilados puderam regressar e pessoas que
tiveram seus direitos políticos cassados foram reabilitadas na sua
cidadania. Porém os militares punidos, por não terem engajado no golpe não
puderam voltar às forças armadas.
- Fim do bipartidarismo foram criados novos
partidos para disputar as eleições seguintes. Sugiram PDS (no lugar da
arena) e o PMDB (no lugar do MDB), fundou-se, ainda, PT (partido dos
trabalhadores), PDT (partido democrático trabalhista) e o PP (partido
popular) e ressurgiu o PTB (partido trabalhista brasileiro). Foram
restabelecidas as eleições diretas para os governadores.
No plano
econômico, o governo Figueiredo, ainda com Delfim Neto como ministro do
planejamento, não foi capaz de equacionar sérios problemas:
- Dívida externa – ao obter empréstimos do FMI
(fundo monetário internacional), o governo teve de se submeter às
exigências dos banqueiros internacionais, que passaram a ditar regras de
“ajustamento” da economia. Sem poder pagar o Brasil e as empresas passou a
pedir outros para saldar as dívidas anteriores.
- Inflação – bateu recordes históricos, superando
a cifra de 200% ao ano. Os mais prejudicados foram os trabalhadores, que
tinham seus salários corroídos dia a dia pela elevação do custo de vida.
- Desemprego – a falta de investimentos no setor
produtivo (expansão das empresas) resultou numa redução do crescimento
econômico, cuja conseqüência mais grave foi o aumento do desemprego. Em
1983, os níveis de desemprego eram altíssimos, chegando a ocorrer uma
série de saques a lojas e supermercados.
Com o agravamento
da crise, cresceu a insatisfação popular contra o governo. Nas
eleições de 1982, o eleitorado manifestou seu descontentamento
elegendo um grande número de candidatos de oposição nos estados
mais populosos e onde os movimentos sociais eram mais organizados.
Depois de 18
anos de ditadura, em 15 de março de 1983 assumiram o poder nos estados novos
governadores eleitos pelo voto direto, com força renovada, as oposições
políticas passaram a exigir eleições diretas para presidente da república.
As grandes conquistas modernizadoras do período de ditadura (1964 –
1985) situaram – se principalmente nos setores de infra – estrutura (energia,
transportes, telecomunicações), enquanto os problemas na área social (educação,
saúde, alimentação, desemprego) permaneceram ou se agravaram.
Houve expansão
e modernização do sistema de comunicações (telefones, telégrafos, correio,
antenas de microondas, satélites), além da integração do Brasil ao
sistema de comunicações internacionais. Entre as empresas estatais
destacaram-se a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), a
Telecomunicações do Brasil (Telebrás) e a Embratel (subsidiárias da Telebrás).
Essas duas últimas foram privatizadas na década de 1990: a Telebrás
deixou de existir, substituídas por empresas regionais de telefonia fixa e
celular (Telemar, Telefônica, Tele – Centro – Sul, Telesp Celular, entre
outras). Enquanto a Embratel presta serviços de ligações telefônicas
de longa distância.
No
período, houve o aumento da produção nacional de petróleo, a construção
de grandes usinas hidrelétricas (Itaipu, Tucuruí), a criação do Proálcool
(Programa nacional do álcool, que visava substituir progressivamente o petróleo
importado pelo álcool nacional, como fonte de combustível) e a instalação
da usina nuclear em Angra dos Reis, comprada da empresa norte –
americana Westinghouse.
Crescimento
da rede rodoviária, com a construção de estradas que integram as diferentes
regiões do país, a modernização da indústria naval e o desenvolvimento
do setor aeronáutico, merecendo destaque a fabrica de aviões Embraer
(Empresa Brasileira de Aeronáutica).
Acentuou –
se a concentração da propriedade rural nas mãos de uma minoria de
latifundiários, que passou a ocupar quase metade de todas as terras
agrícolas disponíveis. Parte considerável dos latifúndios brasileiros ainda
hoje é improdutiva, ou seja, não há produção de alimentos para consumo interno
nessas terras.
Grandes
partes dos latifúndios consideradas produtivas são destinadas às culturas de
exportação, como a soja, cana – de – açúcar, utilizada na produção de álcool
combustível. Como conseqüências, temos milhões de pessoas
passando fome, embora vivam num país com imensas potencialidades agrícolas
e a luta por uma reforma agrária.
Persistiram
os problemas relativos à educação pública, problemas que ainda fazem parte da
nossa realidade. Elas deixam de freqüentar as escolas porque trabalham, para
ajudar sua família, pela longa distância entre a casa e a escola ou
simplesmente por dês - motivação social.
Foi criado
o Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), para acabar com o
analfabetismo, porém não cumpriu sua tarefa. As taxas de analfabetismo ainda
são bastante elevadas, atualmente, os grandes problemas da
educação pública estão relacionados à baixa qualidade do ensino e
remuneração salarial dos professores.
Delfim
Neto (ministro da área econômica no período militar), dizia: É
preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo. Entretanto, o
crescimento geral da economia, não se traduziu em condições de renda mais
satisfatórias para a maioria da população. O bolo cresceu mais para pouco.
Em 1960,
a metade mais pobre tinha 17,4% da renda, passando em 1983 a ter
ainda menos, 12,7%. Enquanto isso, os 20% mais ricos, que tinham 54,82%
da renda em 1960, aumentaram sua participação: em 1983, controlavam
64,6% da renda.
O fracasso do modelo político – econômico
adotado no regime militar ficou evidente durante o governo de Figueiredo. A
economia brasileira entrou numa das mais graves crises de sua história:
- Inflação elevada;
- Dívida externa assombrosa;
- Dívidas internas maiores que a arrecadação do
governo (déficit público);
Vários segmentos
da sociedade “partidos políticos, igreja, entidades científicas, estudantes,
imprensa, sindicatos de trabalhadores, universidades, associações de
empresários etc.”, reivindicavam o fim da ditadura militar e a
democratização do país.
A crescente onda de insatisfação social
foi canalizada, pelas lideranças políticas de oposição, para uma campanha em
favor das eleições diretas para
presidente da república.
O objetivo era fazer com que o congresso nacional (ocupado por uma maioria de parlamentares ligados ao
governo militar),
aprovasse uma emenda constitucional, proposta pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB – MT), onde restabelecia eleições diretas para presidente.
A campanha pelas diretas reuniu milhões
de pessoas em manifestações populares, que figuram entre as maiores da história
do país, nas ruas e praças, multidões reunidas em grandes comícios exigiam Diretas Já!
Entretanto, uma série de manobras de
políticos ligados aos governos militares derrotou a emenda Dante de Oliveira e
impediu a realização das eleições diretas para presidente. O principal grupo
que derrotou essa emenda foi liderado pelo deputado
federal paulista Paulo Maluf,
que pretendia eleger-se à presidência da
república por
meio do Colégio Eleitoral.
Na eleição indireta, Paulo Maluf era o
candidato oficial do PDS, partido que representava o governo e Tancredo Neves,
governador de Minas Gerais e era candidato de uma aliança política heterogênea
(a aliança democrática), composta de ex – integrantes do PDS (na chamada Frente
Liberal) e membros do PMDB.
Em 15 de
janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito para presidente e José Sarney para
vice – presidente. No entanto, atingindo por grave enfermidade, Tancredo Neves
não tomou posse do cargo; foi internado, submetido a cirurgias e faleceu em 21
de abril de 1985. Assim, o vice – presidente em exercício, José Sarney, assumiu
a presidência da república.
Com a morte
de Tancredo Neves, no dia 21 de abril de 1985, o seu vice José Sarney, assumiu
a presidência da república. Porém a maneira como foi conduzida a
transição do regime militar para o governo “civil”, decepcionou a
maioria das oposições políticas.
Sarney
ofereceu apoio, direto ou indireto, à ditadura militar, foi presidente
nacional do PDS e na liderança do mesmo, ajudou a derrubar a emenda
constitucional das eleições diretas, para presidente.
Neste
período, milhões de brasileiros sofriam o drama da “fome, falta de moradia e
de péssimas condições de saúde”. Era urgente melhorara as condições sociais
desse povo, porém os economistas do governo acreditavam que nenhuma política
social daria certa se a inflação não fosse combatida.
No dia 28
de fevereiro de 1986, a equipe econômica, liderada pelo ministro da
fazenda, “Dílson Funaro”, anunciou um plano de grande impacto para
combater a inflação, era o “Plano Cruzado”, cujas medidas de maior
destaque foram:
- Extinção do cruzeiro e criação de uma nova
moeda, o Cruzado;
- Fim da correção monetária;
- Congelamento dos preços das mercadorias;
- Congelamento dos salários, que seriam
reajustados automaticamente sempre que a inflação chegasse a 20% (gatilho
salarial).
O plano
foi duramente criticado por diversos setores da sociedade, políticos do
PT e do PDT, empresários e organizações sindicais. Diziam por exemplo,
que os trabalhadores saíram perdendo, porque os preços das mercadorias foram
congelados no pico e os salários foram congelados pela média dos últimos seis
meses. Os empresários alegavam que o congelamento era contra as leis de
mercado e que a principal causa da inflação eram os gastos excessivos do
governo.
Grande
parte da população apoiou o plano e foi às compras com as tabelas oficiais
de preços para fiscalizar e protestar contra as remarcações. Mas a euforia
durou pouco tempo, aos poucos o congelamento foi sendo boicotado por produtores
e comerciantes. Diversos produtos sumiram das prateleiras dos supermercados
e só reapareciam mediante pagamento de “ágio”, longas filas
formavam-se para a compra das mercadorias essenciais e o plano cruzado
fracassou.
Posteriormente,
o governo implantou novos planos para combater à inflação: Cruzado II, Plano
Bresser, Plano Verão. Mas não obteve sucesso.
No final
do governo, a crise econômica continuava grave. O governo não conseguiu
equilibrar os três grandes problemas da economia:
- Inflação elevada;
- Dívida externa;
- Dívida interna do governo.

Quando
Sarney assumiu, o seu governo tinha como uma de suas tarefas prioritárias a
convocação de eleições destinadas a escolher representantes à “Assembléia
Nacional Constituinte”, encarregada de elaborar uma nova Constituição
para o Brasil.
Instalada
em 1 de fevereiro de 1987, a Assembléia Nacional Constituinte
compunha-se dos membros da Câmara dos Deputados Federais e do Senado
Federal. Como funcionou conjuntamente com o Congresso Nacional, foi
também chamada de “Congresso Constituinte”.
Um dos
principais objetivos da nova constituição era reger a democratização do país,
substituindo os instrumentos jurídicos criados pela ditadura militar.
Alguns dos direitos e garantias fundamentais estabelecidos pela constituição
federal são válidos para todas as pessoas, pois “todos são iguais perante a
lei”. São eles:
Liberdade para trabalhar
| expressar
o
pensamento;
locomover-se pelo país; | votar nas
eleições
públicas;
participar de partidos políticos;
| praticar
uma
religião;
acesso à educação; | assistência
à
saúde;
à previdência social; | ao lazer e à
segurança
pública.
Somente
quando esses direitos são exercidos pelas pessoas é que existe, efetivamente a “Cidadania”.
É uma realidade em construção, que resulta de um processo de lutas e
conquistas dos sujeitos e grupos sociais.
Após quase
30 anos sem eleições diretas para presidente da república, os eleitores
brasileiros puderam exercer esse direito nos dias 15 de novembro e 17 de
dezembro de 1989 (primeiro e segundo turnos).
Ao final
de uma agitada campanha eleitoral o candidato vitorioso foi ex – governador
de Alagoas, Fernando Collor de Mello (PRN), que derrotou no segundo turno Luís
Inácio Lula da Silva (PT). Na campanha eleitoral Collor, expunha uma
imagem de político renovador, preocupado em combater os marajás
(funcionários com altos salários que desfrutam as mordomias do serviço público)
e em modernizar a administração do estado.
Tinha como
programa de governo: Privatizar empresas estatais; combater os monopólios;
abrir o país à concorrência internacional e dês – burocratizar as
regulamentações econômicas, entre outras propostas.
De imediato,
o novo governo tomou medidas drásticas para combater a inflação, que chegava a 2
751,34% ao ano. No dia seguinte à posse, 16 de março de 1990, Collor
anunciou um plano econômico bombástico, entre outras medidas, tinha o bloqueio
das contas e aplicações financeiras nos bancos, confiscou cerca de 80%
do dinheiro que circulava no país (incluindo o das cadernetas de poupança)
e extinguiu a moeda vigente, o cruzado, restabelecendo o cruzeiro.
O impacto
social do chamado Plano Collor foi violento. Grande parte da população
foi obrigada a aceitar o sacrifício, tendo em vista o objetivo de conter a
inflação. Mas não demorou muito para que viessem as decepções. Após um controle
inicial, a inflação voltou a crescer e o governo foi perdendo credibilidade.
Na época do plano Collor, a ministra da economia era Zélia Cardoso.

Após dois
anos de governo, começaram a surgir inúmeras denúncias de corrupção na
imprensa, envolvendo a cúpula governamental de Collor. A gravidade das
denúncias levou a câmara dos deputados a criar uma comissão
parlamentar de inquérito (CPI), destinada a apurar as eventuais
irregularidades.
Aos
poucos, foi desmontada e exposta ao público a rede de corrupção,
sonegação fiscal e contas “fantasmas” do chamado “esquema PC”. Umas séries
de negócios obscuras dirigidas por Paulo César Fariam (o PC) amigas pessoais
e ex-tesoureiro da campanha presidencial de Collor.
Ao mesmo
tempo em que ocorria a CPI, nas praças e ruas do país, multidões
se uniam exigindo o impeachment (afastamento) do presidente. Nesse
movimento, destacou-se a presença dos estudantes (posteriormente chamados de
caras-pintadas, por pintarem o rosto de verde e amarelo), exigindo
ética e dignidade na vida pública brasileira.
Quando
chegou ao final dos trabalhos, a CPI incriminou o presidente Collor por
esmagadora maioria de votos. Estava aberto o caminho legal para o impeachment,
que foi aprovado pela câmara federal em 29 de setembro de 1992.
Assim, Fernando Collor foi impedido de exercer a função de presidente da
república para ser julgado pelo senado.
No dia 2
de outubro de 1992, o vice-presidente Itamar Franco assumiu a presidência
da república, governando interinamente até 29 de dezembro de 1992,
durante o julgamento no senado federal. Collor entregou sua
carta-renúncia, o senado prosseguiu o julgamento de Collor, cassando seus
direitos políticos por oito anos.
Depois da
saída de Collor, Itamar Franco assumiu, efetivamente, o cargo de
presidente da república. Itamar recebeu o governo com uma pesada herança de graves
problemas socioeconômicos:
- A inflação;
- A altíssima concentração de renda;
- A recessão econômica e o desemprego;
- O agravamento do problema da fome, afetando
metade da população;
- A indigência, que atinge milhões de brasileiros.
Convidou
para compor seu ministério figuras das mais variadas tendências ideológicas,
vindas de diversos partidos políticos (PT, PSDB, PMDB e PFL). Entre eles
chamou Fernando Henrique Cardoso, para ser, ministro das relações
exteriores, depois foi transferido para o ministério da fazenda.
Após
assumir o ministério, Fernando Henrique anunciou o Plano Real, que tinha
como objetivo: acabar com a inflação e estabilizar a economia. Um dos
principais instrumentos de combate à inflação estabelecido pelo plano real
foi implantado, a partir de março de 1994, com a unidade real de valor (URV).
Um engenhoso mecanismo de “desindexação da economia”. Em 1º de julho de
1994, entrou em vigor no país uma nova moeda, o Real.
A inflação
desabou de quase 50%, em junho de 1994, para índices próximos a 4%,
no final de julho do mesmo ano. O ano terminou com inflação semestral
inferior a 20%. Esses resultados impulsionaram a candidatura de Fernando
Henrique à presidência da república, ao final do governo Itamar, Fernando
Henrique venceu as eleições no primeiro turno, realizado em 3 de outubro
de 1994, com quase 55% dos votos válidos.
Tomou posse
em 1º de janeiro de 1995, seu governo promoveu uma série de reformas
envolvendo a previdência social, a administração pública e a privatização
econômica. O programa de privatização foi bastante questionado por parte
da oposição como, PT, PDT e PSB, principalmente quando o governo vendeu
empresas eficientes e lucrativas como a Companhia Vale do Rio Doce e as do
sistema Telebrás.
Em 1997,
foi aprovada pelo congresso nacional uma emenda constitucional permitindo a
reeleição para presidente da república, governadores de estado e prefeitos. O
presidente empenhou-se nessa luta parlamentar pela emenda da reeleição, sendo
acusado pelas oposições de conceder favores especiais a parlamentares em troca
de votos favoráveis à reeleição.
Ancorado
no triunfo do combate à inflação e na estabilização da economia, Fernando
Henrique disputou a eleição em 1998, vencendo-a no primeiro turno.
Seus principais adversários foram Luís Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes. Com a
vitória, tornou-se o primeiro presidente brasileiro reeleito em dois mandatos
consecutivos.
OBS:
“Apesar da estabilidade econômica e da manutenção de baixos índices de
inflação, as desigualdades sociais aumentaram, ou seja, foram mais ou menos
bons para a economia, porém nas questões sociais, foi péssima”.




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